Varejo de presentes: o impacto da pandemia no setor

O comércio varejista brasileiro voltou a crescer em junho e aumentou a confiança dos empresários para retomada no segundo semestre.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio, feita pelo IBGE, houve aumento de 8% no volume de vendas na comparação com o mês anterior.

Os resultados de maio – crescimento de 14,4%-, por sua vez, já davam sinais de que o pior tinha passado.

Pela primeira vez desde que começou a pandemia, houve crescimento também em relação ao mesmo mês do ano passado (0,5%).

Durante a Customer Intelligence Week, em julho, 5 grandes varejistas do setor de Presentes já mostravam confiança na retomada e traziam números promissores de suas operações.

Agora, os números comprovam isso: o segmento com maior crescimento em junho foi o Livros, Jornais, Revistas e papelaria, com 69,1% e o setor de Outros Artigos Pessoais ficou na quinta posição com crescimento de 26%.

Clóvis Souza, CEO e Fundador da Giuliana Flores, conta que este tem sido um período de mudanças radicais na empresa: “em 4 meses atingimos o faturamento previsto para 2024”.

“Durante o pico da pandemia estávamos vendendo 4 vezes mais do que vendíamos em um dia normal”, explicou o CEO que, durante a pandemia, fechou permanentemente algumas lojas físicas e voltou toda a operação para o Digital.

“Fomos mudando todo o cenário para dar conta de atender a demanda”, completou.

Já para a Livraria Cultura, o primeiro impacto foi assustador. “Falar para um varejista que ele tem que fechar todas as lojas é como um nocaute”, define Sérgio Herz, CEO da rede de livrarias.

Mas, depois de “baixada a poeira”, a marca resolveu “fazer desse limão uma limonada” e usar todos os canais e o conhecimento disponíveis para continuar vendendo.

“O que não sabíamos fazer, começamos a aprender de forma rápida. Tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Apesar de muito triste, é um momento rico para aprendizado”, explica Herz.

A busca por conhecimento também foi o que moveu a gigante do setor de brinquedos, RiHappy.

O ex-CTO da marca, Robledo Castro, brinca que se sentiu pressionado pelo CEO e pelo Covid para acelerar o processo de transformação digital na empresa.

“Levamos a mentalidade de startup para uma grande empresa em muito pouco tempo”. Robledo explica, ainda, que mesmo otimista com a retomada e com a transformação digital implementada na empresa o momento ainda é incerto.

“Estamos estruturando tudo que começamos a fazer nos últimos meses, mas também nos preparando para a sazonalidade do fim do ano, sem saber ao certo como o consumidor vai se comportar depois da pandemia”, completa.

Atualmente, a Giuliana Flores se encontra no mesmo momento de incerteza, mas vê o futuro com bons olhos. Clóvis Souza, conta que com a abertura do comércio, a marca já apresentou uma queda de 15% no faturamento.

“Temos consciência que não vamos voltar para o patamar que tivemos durante a pandemia, mas acredito que essa quebra de paradigma é definitiva: pessoas que não tinham o hábito de comprar pela internet e começaram agora não vão parar nunca mais”.

Para o setor da Loft Design, especializada em artigos eletrônicos, a retomada tem sido mais otimista. “Já há uma sensação de esperança e confiança no futuro, que é muito importante”, comemora Rachel Fita, Diretora de Franquias da marca.

“Vendemos produtos essenciais para o home office, o que nos trouxe a um momento bom de retomada, com ótimos resultados na loja física”. Ela conta, ainda, que também precisou acelerar projetos de transformação digital e, inclusive, fazer contratações no período.

Ponto comum entre todos os varejistas, a transformação digital também foi o grande foco da Imaginarium.

Donato Ramos, diretor da rede de franquias conta que o roadmap de ações de Digital previstas para os próximos 36 meses foi finalizado em poucos dias, devido à pandemia.

“Criamos dinâmicas de squads integrando os times de TI com os de Mercado. Tomamos decisões rápidas e usamos o mindset de startup de ‘errar rápido e corrigir rápido.’ E, claro, tivemos o desafio de levar essa mentalidade para todos os franqueados”, explica Ramos.

O engajamento dos franqueados foi de grande importância. O E-Commerce da Imaginarium cresceu 500% neste período, com mais de 50% de lojas trabalhando no modelo ship from store.

Em cidades, como o Rio de Janeiro, 85% das vendas digitais já saem das lojas.

“Demos mais conveniência pros cliente (que recebem o produto mais rápido) e trouxemos o franqueado para mais perto”, completa o Diretor.

As novas opções de compra e entrega e a utilização de vendedores como consultores digitais foram alguns dos paradigmas quebrados durante a pandemia  que fizeram as marcas mudarem suas estratégias para o futuro.

A Imaginarium utilizou a tecnologia da Dito CRM para comunicar melhor com esse ‘novo cliente’.

“Através da análise de dados, conseguimos ver o que o consumidor está comprando e vamos criando campanhas para cada necessidade do cliente”, conta Donato.

“Vamos entendendo, diariamente, a dinâmica de comportamento para comunicar com os clientes e isso aumento muito o fluxo do site e as vendas”.

Para Sérgio Herz, da Cultura, o maior desafio para o futuro é, também, o maior diferencial de sua marca: a experiência e o conceito da Livraria.

“O cliente percebeu que não precisa da minha loja física para comprar o que ele precisa. Ele pode comprar na Internet. Estamos nos adaptando e nos planejando para que ele queira viver a experiência da loja física quando reabrimos”.

Herz termina de forma otimista. “Fomos obrigados a tomar um anabolizante digital, dos fortes. Eu estou empolgado por isso.

Não sei o que vai acontecer nem para onde estamos indo, mas estamos com energia para reinventar a empresa e o negócio. Claro que estamos preocupados com fluxo de caixa, abertura de lojas, etc. Mas é um momento de oportunidades”.

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